Nova Era

Iago Carter Martines

Nem todas as estatísticas do mundo podem definir o quão singular é, cada pessoa nesse planeta.

Iago Carter Martines

Description

O que distinguia aquelas pessoas, daquelas do bairro chique logo ao lado, era que, ali em paraisopolis, seus moradores tinham a capacidade de viver no inferno.

“Quando rico morre, vira noticia… Mas quando pobre morre, vira estatística. E to falando, Iago não é do tipo que estava muito para ficar nas porcentagens " Inês

“O muleque parecia que tinha o demônio no corpo, fazia o que tinha que fazer e muito bem feito. "
Calvinho

=====================

Iago embora tenha um passado que possa ser considerado sofrido, nunca encarou sua realidade como sendo pior do que a de ninguem.
Ele sabe que cada pessoa nesse mundo deve ter umas coisas bem fudidas guardadas na cabeça. É simplesmente uma questão de saber o seu lugar no universo e que ninguém, tem uma vantagem absoluta sobre ninguém.

Podemos dizer que Iago não é um homem das letras. Não leva para si uma idéia de querer ser culto. Talvez devido a isso seja muito subestimado, mesmo assim, nessas situações, Iago não se importa, pois essas condições já revela então, quem possui a vantagem momentânea.

A unica coisa que seu pai lhe deixou foi um livro " Sun Tzu, A Arte da Guerra", e foi através dele que Iago se interessou pela literatura chinesa e sua forma simples de pensamento.

O ritmo musical mais marcante para a sua vida foi o Funk Soul dos anos 70 desde tim maia a james brown. Assim como o Rap.

Iago se esforça para manter seu temperamento sempre sobre controle. Principalmente depois que despertou sua visão para através do véu que cobre os transeuntes. Seu humor no geral é carregado de cinismo e sarcasmo. O modo com que lida com as pessoas é sempre de forma respeitosa, embora seu modo de falar possa parecer agressivo para quem acha ser “reizinho” do mundo.

“As palavras verdadeiras não são agradáveis e as agradáveis não são verdadeiras.” Lao Tsé

Mesmo sabendo que sua consciência tinha se expandido de alguma forma, e que agora possuia uma conexão inexplicável com algo desconhecido, nunca deixou de fazer o que tinha de ser feito, dentro do mundo, seu antigo mundo, o mundo dos mortais.

Nunca julgou ninguem como sendo inferior, muito pelo contrario. Iago acredita que todos somos iguais, mas o que sente na pele e percebe claramente, é quanto algumas pessoas se incomodam ao serem expostas a idéia de ter algo em comum com sua pessoa. Pelo que ele é e pelo que foi.

Bio

Nem todas as estatísticas do mundo podem definir o quão singular é, cada pessoa nesse planeta. Mas isso é uma coisa que Iago descobriu mais tarde, depois daquele encontro.

Relatos:

Inês:
Quando rico morre, vira noticia… Mas quando pobre morre, vira estatística. E to falando, Iago não é do tipo que estava muito para ficar nas porcentagens de grandes pesquisas de mortalidade da ONU nos morros de são Paulo.

Martelo:
Era de madrugada quando entraram na casa de Iago. Arrastaram o pai dele pra fora da casa e deram cinco tiros na cara do maluco. A família teve que ficar só ouvindo o cara implorando pela vida antes de morrer. Mas vai fazer o que com vacilão? E se aquele moleque, filho dele, não crescer direito, vai te o mesmo fim do pai.

Vizinho:
Lembro desse dia, era uma terça acho…Escutei os tiros de noite, mas nem olhei pela janela. Tava com jeito de execução mesmo… Na manhã seguinte o presunto tava la ainda na porta da casa com a cara toda estourada. Chamei os bombeiros, fazer o que?

Carvão, dono do bar:
Esse tal de Isaias que morreu… Bom, era um locão que ficava andando por ai só falando merda, tá ligado? Falava de umas coisas sem pé nem cabeça, parecia papo de religião, mas o cara vivia bêbado e drogado por aí, sei la.. Teve um dia que ele olhou pra mim e deu risada, cuzão.

Pastor:
Tinha vezes que o cara entrava aqui mamado, dizendo que todo mundo tava fudido. Que a gente achava que sabia das coisas, mas que a gente na verdade tava louvando o diabo. Isso pra comunidade é um desrespeito do nome de Deus. O que seria dessas pessoas sem Jesus em seus corações? Depois acordava todo espancado e aposto que nem sabia o por que.

========//========

Com a morte de seu pai, Iago tornou-se o homem da casa com apenas 12 anos. Nesta idade já ajudava os traficantes do morro fazendo o corre pros playboy do Morumbi ali do lado. Mesmo nesta idade, já tinha cheirado e fumado tudo que vendia. Conseguia tirar uma grana pra ajudar sua mãe e sua irmã. Aos 15 anos já tinha sua primeira arma; um calibre 38. Aos 16, sua primeira morte. E logo aos 17, sua primeira ficha criminal, devido a assalto a mão armada.

O que distinguia aquelas pessoas, daquelas do bairro chique logo ao lado, era que, ali em paraisopolis, seus moradores tinham a capacidade de viver no inferno. Iago era uma dessas pessoas que, alias, fazia isso incrivelmente bem.

Sua mãe, Amara, era uma negra, que descendia de legítimos africanos. Já seu pai era um pardo, com uma mistura maluca de tudo quanto era cultura. Ele a encontrou num puteiro e prometeu que lhe daria uma vida decente. Coisa que teve dificuldades de cumprir devido ao seu vicio no crack e na bebida.
Dessa união, primeiramente nasceu Amanda, cinco anos mais velha que Iago.

========//========

Relatos:

Sebastião:
Depois da morte do Isaias aqui o povo ficou chocado sabe? O muleque dele falou de vingança um dia desses que tinha bebido de mais no bar. Mas a verdade é que ninguém tinha certeza do que aconteceu naquele dia. Tipo, todo mundo sabe que tiro na cara só merece quem vacila feio tá ligado? Mas o cara era só um maluco que ficava por ae. Depois disso o moleque dele caiu mesmo na bandidagem e não gosto nem de comentar, mas… Até que ele leva jeito pra coisa.

Terezinha:
Depois do acontecido até fui falar com a dona Amara. Ela me parecia bem… Quer dizer, seus olhos estavam um pouco vermelhos, como se tivesse acabado de chorar, mas eu precisava saber o que tinha acontecido. Ela não disse nada, falou que estava chocada tanto quanto todo mundo e que nem imaginava quem tinha feito aquilo e por quê. Um mês depois, voltou pro puteiro da onde tinha saído. Acho que ainda está por la.. Dificilmente a vejo por ai.

Cléu:
Eu e Amanda dávamos vários roles antes do pai dela ser apagado daquela maneira. Depois ela ficou diferente… Não depressiva, mas sei la… Ela não queria nem saber. Ficou apática, e não demorou muito pra começar a freqüentar a igreja. Todos os dias praticamente.

========//========

_Iago acordou com um puxão no braço.
—Levanta moleque, vai logo.
Ergueu-se com os cotovelos, coçando os olhos, viu seu pai ajoelhado ao lado de seu colchão.
—Eles tão vindo ta entendo? Eles descobriram tudo moleque, dessa vez to fodido mesmo.
—Eles quem? Do que você ta falando ?…Você ta fedendo pinga, vai dormir.
Iago falou virando-se de costas para seu pai, se deitando novamente.
—To falando sério filho, você é o homem da casa agora. Espero que cuide bem da sua mãe e da sua irmã. Toma… Guarda isso com voce.
Isais tirou um papel do bolso e enfio de baixo do travesseiro.

Na madrugada Iago ouviu pessoas entrando em sua casa. Tentou se levantar para ver o que estava acontecendo, porém seus músculos pareciam ter congelado. Não conseguia se mover.

Ouviu seu pai levantando e saindo de casa. Cinco tiros. Essa foi a única vez que Iago chorou._
========//===========

Relatos:

Calvinho:
O muleque parecia que tinha o demônio no corpo, fazia o que tinha que fazer e muito bem feito. Não queria nem saber, se tivesse uma boa grana envolvida tava no meio. No começo era só um pivete drogado, mas não demorou muito para os dono do morro ficar de olho nele.

Pastor:
Sim, Amanda começou a se dedicar intensamente aos trabalhos da igreja e de nosso senhor Jesus cristo. Aproximamos-nos muito depois da morte de seu pai, entende?

Amara:
Não tinha jeito, eu falava pra ele que as coisa que tava fazendo não era certa, e que não queria a merda do dinheiro de bandidagem dele. Ele podia pegar o mesmo caminho que irmã, mas não… Quanto a mim? Voltei a fazer a única coisa que tinha aprendido na minha vida.

========//========

Iago encontrou o papel que seu pai havia lhe dado apenas depois do enterro. Ao desdobrar o papel deparou-se com um símbolo que nunca tinha visto:

http://tinyurl.com/46y6hhy

Iago não sabia quem tinha assassinado seu pai, nem o porquê, mas estava disposto a descobrir. Não tinha a intenção de se transformar em uma presa e decidiu naquele dia que ele é que seria o caçador.

Sua relação com a família ficou mais distante. Sua mãe logo caiu no vicio do álcool. Sua irmã fugiu com o pastor, junto com todo o dinheiro dos fieis durante a madrugada. À medida que o tempo passava, sua mãe o insultava mais e muitas vezes, chegava até a agredi-lo, dizendo que era tão imprestável quanto seu pai.

Com o decorrer de alguns anos, Iago foi adquirindo certo respeito dentro dos traficantes por ali. Mas ainda não havia esquecido o que tinha acontecido com seu pai. O que seria o símbolo naquele papel? Alguma facção rival? O que quer que seja iria descobrir. Sabia que quando seu pai morreu, não tinha cu pra isso, mesmo assim, ainda era um bandidinho de merda. Nunca estava satisfeito.

========//========

Morronei:
Iago acabou enchendo a cara no barzinho do carvão. Se acha? já começou a falar um monte de merda e o caralho e não demoro muito pra soltar alguma coisa da morte do pai. O cara nunca tinha falado nada, mas dessa vez ele tirou um papel do bolso e bateu no balcão, falando “ Alguém conhece esses merda? Vo pega um por um, pode ser playboy ou pé de chinelo, to nem ae!” Depois disso, saiu tropeçando do bar e foi direto pra biquera. Guardei o papel comigo.
*
Mateuzinho:*
O CARA É MALUCO! SÓ PODE SER FUMADOR DE PEDRA QUE NEM O PAI, NUM É POSSIVEL!
DERREPENTE O CARA METE O PÉ NO BARRACO ENFIA UM TIRO NA CARA DO ZECA APONTA A ARMA PRA MIM, JOGA UM PAPEL NO MEU COLO E PERGUNTA: QUEM SÃO ESSES CARAS? NÃO TINHA NADA ESCRITO NO PAPEL PORRA! ERA A MERDA DE UM DESENHO ESCROTO! ISSO NÃO FICA ASSIM!

Michigan:
É mano, depois dessa cena ai com o Zeca, o bagulho ficou louco. O Iago é nervoso, mas vai tirar os caras na goma deles? O cara é do tipo que atira e depois pergunta? Acha que ta nos filme do istalone? A coisa fico feia pro lado dele. Tudo bem que o cara ta na pegada de vingar o pai sei la, mas vai ser doido assim na casa do capeta.

========//========

Logo pela manhã tico-tico encontrou com Iago. Avisou-o que Martelo queria conversar com ele e que ele tinha um serviço no esquema pra ele.

—Fala véi, na boa?
Disse martelo, levantando-se, ao ver a figura de Iago na porta do seu barraco.
—Opa.Que cê tem pra mim? O tico-tico deu a letra que se tava com um trampo, que parada é essa?
O Rosto de Iago era impassível, dificilmente deixava passar algum tipo de emoção.
—Calma fiote, senta ai. Vamo fuma unzinho e agente vai trocando idéia, que acha?
—Não.Quero saber do trampo logo.
Martelo o olhou como se, o que tivesse acabado de dizer, fosse um desrespeito.
—Ce que sabe, to com um natural aqui véi…

—…

—Bom… o lance é o seguinte. Os cara la de cima disseram que tem uns fitinha por ae que acabaram de chegar. E que ta prejudicando nosso negocio por que os Mané, tão mais pra baixo do morro, ai os prayba desencana de subir pra pegar aqui com nóis. Parece que esses fita tão involvido com um lance aqui…
Martelo retirou do bolso uma folha de caderno toda amassada, com o mesmo símbolo que seu pai lhe tinha deixado. E prosseguiu dizendo com um sorriso amarelo:
—Os cara que tão agitando esse lance é um tal de Matheuzinho e o outro é conhecido como Zeca.
—Da onde veio isso?
—Tava no bolso de um amigo desses caras que o baia mato.
—E por que não terminaram o serviço com os outros dois?
—Pra num dar pala de mais né fio, além disso o cara tinha subido aqui na nossa área pra passar por aqui.
—Quanto tempo eu tenho?
—Dois dias malandro, CE tem dois dias.

Iago ficou até mais tarde no bar, pensando sobre o trabalho que havia recebido do martelo. Tinha nas mãos o mesmo símbolo deixado por seu pai, pouco antes de morrer. Acabou bebendo alguns copos a mais e cheirando um pouco mais de cocaína do que estava acostumado. Decidiu, desta maneira, resolver o serviço naquela mesma noite.

========//========

Matheuzinho tava mijando nas calças. Não era por menos, Iago tinha acabado de estourar a cabeça do seu parceiro e tava lá: pego, com o três oitão engatilhado, apontando pra cara dele.

—Juro que não sei de nada maluco, não sei que porra é essa não.
—Para de mentir seu bosta, quer morrer que nem seu amigo?
—Sai fora bandido, to de boa não sei de nada!
—Cade as drogas que cêis tão passando aqui? Ta afim de zuar o esquema é? Isso aqui é recado do martelo.
PAU NO CU DO MARTELO, ESSE CARA É UM PUTA NÓIA TA ENTENDENDO? NÃO TENHO NADA A VER COM O ESQUEMA NENHUM MEU IRMÃO, MEU LANCE NÃO É DROGA NÃO, O CARA TA ZUANDO VOCE E ME BOTANDO NO MEIO.
—Abaixo o tom seu merdinha… Abaixa o tom. Zuando comigo o caralho! Se o teu lance não é droga o que é então?
—Vai se fuder, se quiser me matar me mata logo fedelho. Não devo satisfação pra você!

Iago não conseguia raciocinar direito, mas o que lhe passava pela cabeça é que tinha entrado numa puta roubada. Se o cara não mexia com droga, então dificilmente teria ouvido falar do desenho que estava procurando. E foi nesse exato momento que começou a ouvir sirenes.

—E agora bandido? Isso aqui não é alto do morro não, policia aqui come cu de moleque metido a traficante.

Essas foram as ultimas palavras que ouviu da boca de matheuzinho antes de correr pela porta e começar a subir o morro atrás do martelo.
==========//========

Sebastião: Iago sumiu de vez aqui da região, sem antes deixar dois mortos pra trás. Um deles é o martelo com 11 tiros… Ele descarregou o revolver, carregou e deu mais uns tiros e claro, além de levar quase todas as drogas que tava no esquema pro martelo passar. O pior é que o cara trouxe policia aqui pra cima, quer dizer, ninguém gosta dele mesmo…aposto que nem Deus.

=======//=========

Na verdade Iago não era o tipo que aceitava ser passado para trás. Ele não estava nem ai para as conseqüências de seus atos naquele momento. Mas isso era de sua natureza, ele não se importava, simplesmente isso. Sabia que naquele momento estava sendo procurado tanto pelos traficantes do morro, atrás das drogas que tinha pegado com o martelo, tanto pela policia.
Estava alucinado com suas pupilas gigantes correndo entre matos, vielas, ruas estreitas até chegar a um local que considerou seguro perto de uma avenida

Mas sabia que estava quase amanhecendo e que logo aquele não seria mais um lugar tão seguro. Sabia que não conseguiria dormir e em sua cabeça chegou a conclusão do que poderia ser sua salvação: Roubar um Carro.

========\\=======

Seu Afonso: Assim que estacionei vi um vulto chegando à janela e apontando uma arma para mim. Ele parecia estar realmente alterado pelo modo que olhava e falava comigo. Não estava gritando, mas parecia que se eu não fizesse o que estava mandando, algo realmente ruim aconteceria comigo. Entreguei-lhe as chaves e sai do carro calmamente. Ele partiu rápido, como se estivesse atrasado para alguma coisa. Não é a primeira vez que sou assaltado aqui em São Paulo, mas dessa vez, havia algo tenebroso, eu podia sentir. Assim que dobrou a esquina liguei para a policia do orelhão mais próximo, que ficava à algumas quadras dali.

======\\============

Iago podia não saber dirigir muito bem, mas sabia exatamente para onde estava indo: Edifício São Vito. Sabia que conhecia umas pessoas que ficavam por ali e o mais importante era que o morro não tinha influencia naquela área. La poderia se estabelecer novamente e tentar arrumar sua vida, destruída em poucas horas.

Estacionou o carro em qualquer lugar, pegou sua arma e as drogas e , pulando um dos muros, entrou correndo para o prédio.
Havia algumas pessoas dormindo por ali, e começou a andar entre eles olhando a cara de cada um para ver se conhecia alguém. Não havia e decidiu então subir até o andar mais alto.
Lá, naquele ultimo andar, tinha vista para toda são Paulo e sua névoa marrom e fétida que flutuava em cima dela. Podia ver os carros passando as avenidas movimentadas e ouvir o ronco de seus motores e as incessantes sirenes ligadas.
Sentou-se no chão, encostado em uma das muretas. Sua mente não processava direito as informações e decidiu usar o resto das drogas que tinha lhe sobrado.

Não demorou a sua respiração ficar mais ofegante, seus olhos se moviam com velocidade para todos os cantos em busca de alguma solução. Retirou do bolso o papel que estava desenhado o símbolo deixado por seu pai. Ele podia ter esquecido aquilo, mas algo lhe dizia que seu pai nunca faria isso à toa. Sua vida foi de ruim para completa merda total em muito pouco tempo. Graças também a esse símbolo. Sabia que tinha algo por trás disso, sentia de uma forma que seu nariz começou a sangrar.

Sua visão começou a escurecer e sentiu seu coração acelerando de uma forma que nunca tinha sentido antes. Começou a tentar andar até se encostar-se ao parapeito do prédio.

Olhando a cidade, ao longe e de cima… Pode ouvir então, seus segredos de concreto, pouco antes de ter sua primeira overdose.
=========\\\==========

O despertar:

Iago sabia que nunca estivera naquele lugar antes. Estava em uma espécie de floresta, mas as arvores eram cinza e suas folhas pareciam feitas de pele humana. Um caminho de pedras guiava até uma enorme torre. Como se na velocidade do pensamento, aproximou-se da torre, e ficou diante a uma grande porta de metal. Empurrou-a devagar, tentando ver o que havia dentro da torre. Sentia seu peito arder, suas vias aéreas latejando e seu estomago se comprimindo.

Ao adentrar na torre, um cheiro horrível de podre invadiu suas narinas, o fazendo arquear para frente e cair ajoelhado com as mãos no chão. Sentia seu corpo completamente debilitado e começou a vomitar um liquido preto, e sabia que ali no meio havia sangue misturado.

Quando seus olhos começaram a se acostumar com a baixa luminosidade, pode ver sangue pelas paredes, e pessoas acorrentadas a dois metros de altura do chão, todas elas não possuíam olhos nem lábios. Ao olhar o teto, pode ver quatro pessoas pregadas pelas mãos e pés: Seu pai, sua mãe, sua irmã e ele mesmo.

Achou que tinha chego ao inferno, que tinha morrido e que, o que antes vivia na terra, era fácil perto do que passaria pelo resto da eternidade, neste lugar maldito.

A porta de ferro fechou-se atrás dele e o lugar ficou sobre escuridão total. Amedrontado, encolheu-se no seu vomito e começou a sentir mãos tocando seu corpo. Mãos frias e fétidas rasgando sua roupa e arranhando-lhe o corpo.

Nessa situação, lembrou da promessa que tinha feito quando seu pai havia morrido e decidiu que mesmo com tudo que tinha acontecido não seria a caça e se quisessem sua pele, teriam que o matar novamente e levar para o próximo nível do inferno.

Levantou-se com ódio, mas um ódio movido pela procura pela paz. E ao erguer-se de pé, a torre iluminou seu interior revelando algo completamente diferente.

Suas paredes agora estavam limpas, com um mármore reluzente e branco. No teto, um vitral com formas desconhecidas. Analisando melhor aquele lugar, girando em torno de si mesmo, deparou-se com algo que o paralisou. Em uma das paredes haviam diversos nomes escritos e logo acima, um símbolo que seria impossível não reconhecer:

http://tinyurl.com/46y6hhy

Encostou as mãos na parede, e deslizou os dedos pelo símbolo. Notou que havia algo que o representava ali, naqueles nomes e eis que então reconheceu-se de uma maneira superna

===========\\========

Cabo Rodriguez: Quando chegamos para pegar o cara, ele estava deitado sem sinal de pulsação ou respiração. Com os lábios roxos, parecia estar podre, havia muito sangue em sua roupa e resquício de droga por todo lado. Seu Afonso identificou-o como assaltante do carro, e o capturamos com uma arma que obvio não era registrada. Muitas coisas acontecem durante nosso dia a dia na rua, mas dessa vez, algo realmente estranho aconteceu. Podia jurar que o cara tinha voltado a vida, antes de o pessoal chegar pra levar o corpo embora.

==========\\======

Iago acordou algemado em uma maca no que nitidamente parecia ser um quarto de hospital. A porta estava aberta e na porta havia um policial. Iago não recordava muito bem do que tinha acontecido, mas sabia que algo tinha acontecido. Não se sentia mais a mesma pessoa. Puxou com força o braço algemado. O Guarda Virou-se para ele e abriu passagem para a enfermeira que estava entrando.

Logo que entrou, olhou-o nos olhos e começou a administrar um tipo de remédio em sua sonda. Iago pode ler o nome Patricia em seu crachá.

Após isso… Segurou os braços de Iago e falou baixinho “ Tudo vai dar certo…eles podem não saber por onde você passou. Mas nós, temos algo em comum. Nos veremos em breve Iago. Fique longe de confusão enquanto isso.”

Enquanto estava indo para a prisão, pensou sobre o lugar que estava antes e sabia que talvez não fosse para um lugar tão diferente daquele. Mas nunca deixaria se abater por nada, cumpriria sua pena de cabeça erguida e iria voltar e descobriria… Olhava as coisas ao seu redor e nada daquilo fazia sentido. Pessoas preocupadas com suas vidas construídas em cima de algo ilusório tudo parecia tão frágil, mas não ele. Sentia que poderia enfrentar os sete infernos.

Ficou 3 semanas na cadeia até sua fiança ser paga. Por quem? Não sabia. Disseram pra ele que a pessoa que tinha pago sua fiança estava esperando fora da cadeia. Ao sair, deparou-se com um homem alto e negro com um terno de bom corte. Usava óculos escuros e tinha um sorriso canalha no rosto. Iago conhecia de longe as pessoas que não prestavam, e sabia que , seja la o motivo que tinha Saído de lá, não era uma coisa boa.

Iago aproximou-se e olhou-o nos olhos

—Quem é você? Por que ta gastando sua grana comigo?
—Calma Cara, to aqui pra te ajudar.
—Se você é daquela porra de assistência social, pode sair fora.
—Não Iago, minha assistência é… Digamos. Espiritual
—Que se foda a porra da sua igreja também…

O homem soltou uma risada alta
—Sei onde esteve. Sei das mudanças na sua vida e principalmente… sei que você deve ser instruído em relação ao símbolo.
—Foram vocês então?
—Você é um de nós agora Iago.
—Porra nenhuma seu merda, se vai explicar o que ta acontecendo aqui? Já me meti em muita furada por causa dessa merda.
—Antes, você era uma merda Iago. Agora você é uma merda que sabe de mais, apenas isso.. Estou aqui para ajudar… acredite em mim, não sou noia como a porra do martelo.

Iago ficou imóvel. Então ele sabia que tinha matado duas pessoas, e mesmo assim o tinha tirado da cadeia.

Pois é Iago, to ligado da suas fitas por ai, e o rastro que você deixou pra traz… Então, me acompanhe , é melhor pra você.

—Que se foda você. Ta querendo me ameaçar playboy? Vai la e conta então mano to cagando pra essa merda.

O homem deu outra risada:
—Nossa cara, como você é! Só relaxa, que tal? Patricia também ta nessa, acredite, nós queremos seu bem… Mas precisamos nos respeitar, eu sei que você vai curtir toda essa merda, aposto nisso. E alias, adivinha? Não vai precisar voltar pra rua… Tenho um trampo pra você, e um lugar bacana pra você ficar e uma erva fina, vamo lá! De uma chance pra pelo menos uma coisa boa que ta acontecendo nessa merda da sua vida.

Iago, realmente não tinha o que perder. Entrou no carro com o homem que disse ao partir de onde estavam.

—Alias, pode me chamar de Torque.

Talvez um primeiro “amigo”… Nesse momento sabia que sua vida estava para tomar um rumo completamente diferente. Estavam indo para um lugar… Que torque chamava, ainda com aquele sorriso na cara, de Concilio Livre.

=======\\========

*Epilogo

Relato:

Morronei*
—O cara desapareceu né, covarde, nem pra fazer o serviço bem feito. Faz um monte de merda no morro e da o fora. Só que é o seguinte, martelo morreu to aqui agora vendo que posso fazer né? não posso fazer nada se deus me abençoou com a desgraça dos outros HAHAHA.

—Só isso que você sabe mesmo?

—É cara… To ligado que a mãe dele pegou uma doença, não sei se vai durar muito tempo..

— Entendo

—E o cê? Ta querendo o pescoço dele também é?
—Não, o caso dele me interessa muito… já que o pai dele foi morto.

—Voce ainda tem aquele papel? Que ele deixou no bar?
—Aqui ó..

Torque levantou-se de onde estava e mirou o símbolo de sua senda desenhado no papel. Sorriu e olhou para cima, virando as costas e partindo sem dizer nada.

Morronei sentiu-se estranho após aquela estranha figura sair de sua casa. Sentiu-se como se tivesse saído de um transe e lembrava-se pouco da conversa que tinha acabado de ter.

Já torque ainda tinha mais alguns relatos para ouvir.